EDIÇÃO ESPECIAL da Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as: História e Cultura Africana e Afro-brasileira – Lei 10.639/03 na escola 

 

Acesse: v. 10 n. Ed. Especi (2018): Revista da ABPN | Mai 2018 | EDIÇÃO ESPECIAL – Caderno Temático: História e Cultura Africana e Afro-brasileira – Lei 10.639/03 na escola | Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN)

As diferenças humanas são problemas ou soluções? 

Em entrevista, o filósofo camaronês Achille Mbembe fala à diretora do Goethe-Institut na América do Sul sobre xenofobia, nacionalismo, o lugar do estrangeiro, os perigos de “culturas únicas” e espaços de articulação para a diferença.

Katharina von Ruckteschell-Katte: Minha primeira observação tem a ver com a questão da diferença.

A questão é: O que queremos dizer com a palavra diferença? Por que ela está tão naturalizada? E o que devemos fazer com a diferença? A premissa aqui é de que a diferença tem que ser reconhecida, aceita e ao mesmo tempo transcendida. Pois a suposição – não apenas no mundo em que vivemos hoje, mas também em períodos anteriores da história humana – é de que a diferença é um problema com o qual se precisa lidar. Então o primeiro movimento que poderíamos desejar fazer é questionar tal suposição. Por que é que achamos que a diferença é um problema? Por que ela não é simplesmente um fato da realidade? A diferença é um problema apenas se acreditarmos que a uniformidade é o estado normal das coisas. A diferença se tornou um problema político e cultural no momento em que o contato violento entre povos, por meio da conquista, do colonialismo e do racismo, levou alguns a acreditarem que eram melhores que outros. No momento em que começamos a fazer classificações, institucionalizar hierarquias em nome da diferença, como se as diferenças fossem naturais e não construídas, acreditando que são imutáveis e portanto legítimas, aí sim estamos em apuros.

E alguns talvez não se viam apenas como melhores, mas diferentes no sentido de acharem que todo mundo tem que ser como a si próprio?

CONTINUE A LER A ENTREVISTA EM:

https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/mag/20885952.html

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Rei de Ile-Ife (Nigéria) vem a Salvador e Colóquio Literário Internacional Odùdùwa receberá também Wole Soyinka!

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Organizado pelo Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura da UFBA, o I Colóquio Internacional Odùdùwa – Língua, Literatura e Epistemologias Iorubanas acontece em junho, em Salvador. O Colóquio será realizado por ocasião da visita do  rei de Ile-Ife (Nigéria), berço da civilização iorubana, à cidade de 6 a 10 de junho.

Na comitiva do rei, virão à cidade personalidades africanas como o prêmio Nobel de Literatura Wole Soyinka; o Awise Agbaye, porta-voz mundial dos babalaôs, Prof. Dr. Wande Abimbola; o embaixador do Benin na UNESCO, Prof. Dr. Olabiyi Yai, dentre outras.

O evento é gratuito, aberto ao público. Programe-se!

Quando: 8 de junho de 2018 (sexta-feira), das 13h às 21h.

Onde: Auditório da Faculdade de Medicina (Pelourinho)

Saiba mais em: Rei de Ile-Ife (Nigéria) vem a Salvador e Colóquio Literário Internacional Odùdùwa receberá também Wole Soyinka! – Portal Soteropreta

A hora da metamorfose africana

A hora da metamorfose africana

“Sou a hora vermelha, a hora vermelha desatada.” A escolha desta frase como lema da Bienal de Arte Contemporânea que acontece neste mês em Dacar não tem nada de casual. Extraída da peça teatral Et les Chiens se Taisaient (1958) do ideólogo da negritude, o poeta martiniquenho Aimé Cesaire, faz referência à emancipação, à liberdade conquistada, à metamorfose. A África, assim entendeu o curador do Dak’art 2018, Simon Njami, passar por este momento de mudança, de nascimento de algo novo. Na arte, mas também na filosofia, na sociedade, na gestão pública, na economia, na maneira como os africanos se relacionam entre si e com o mundo.

Continua em: A hora da metamorfose africana – El País Brasil

Filosofia africana: a luta pela razão e uma cosmovisão para proteger todas as formas de vida

 Em suas Lições sobre a Filosofia da História, Hegel diz que a África não tem interesse histórico próprio e é um local em que os homens “vivem na barbárie e na selvageria, sem se ministrar nenhum ingrediente da civilização”. A África, para Hegel, não é um lugar habitado pela História nem pela Razão (“os africanos são crianças eternas, envoltos na negrura da noite sem a luz da história consciente”, diz ainda). Tratada hoje como um preconceito datado e anacrônico, a visão hegeliana sobre a relação do continente africano com a razão permanece viva na prática filosófica do presente, avalia o professor de Filosofia Jean Bosco Kakozi, natural da República do Congo, que esteve em Porto Alegre nesta última semana para fazer uma conferência na 6a Semana da África na UFRGS.

Doutor em Filosofia e Ciências Humanas, Kakozi tem pós-doutorado em Direito (na área de direitos humanos) pela Unisinos e atualmente é professor da Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila), em Foz do Iguaçu. Além disso, é um pesquisador da filosofia africana (Ubuntu) e latino-americana, da escravidão africana, movimentos sociais afrodescendentes, racismo e exclusão social, e relações inter-étnicas entre indígenas e afrodescendentes da América Latina e Caribe. O tema de sua conferencia na UFRGS foi “Ubuntu e Ukama: uma cosmovisão africana de inclusão e interdependência vital”.

Em entrevista ao Sul21, Jean Bosco Kakozi falou sobre os conceitos de Ubuntu e Ukama, fundadores de uma filosofia africana que, ao contrário do antropocentrismo que marca a tradição ocidental, caminha na direção de uma cosmovisão biocêntrica, que está sempre voltada para fortalecer, cuidar, gerar e transmitir a vida, respeitando todos os seres vivos, humanos e não humanos e tratando os ancestrais como elo de ligação entre os vivos, os mortos e os que ainda não nasceram. Lembrando a passagem de Hegel, ele fala por que o problema da Filosofia na África é o problema da luta pela razão, uma luta que se aplica também aos povos indígenas e outros povos excluídos pela civilização ocidental moderna na África, na América Latina e na Ásia.

Leia a entrevista completa em: Filosofia africana: a luta pela razão e uma cosmovisão para proteger todas as formas de vida – Geledés