LET C47 – Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e o Cânone Ocidental: bibliografia literária para o curso de 2016-I


painel afro-oculos_Cyrus Kabiru (Quênia)(painel de “afro-óculos” criados pelo artista queniano Cyrus Kabiru)
AGUALUSA, José Eduardo. Discurso sobre o fulgor da língua. In: Manual prático de levitação: contos. Rio de Janeiro: Gryphus, 2005.

AGUALUSA, José Eduardo. Não há mais lugar de origem. In: op. cit, 2005.

CHIZIANE, Paulina. As cicatrizes do amor. In: SAÚTE, Nelson (org.). As mãos dos pretos. Antologia do conto moçambicano. 2.ed. Lisboa: D. Quixote, 2000.

COUTO, Mia. O novo padre. In: O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

COUTO, Mia. Lenda de Namarói. In: Estórias abensonhadas. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

DIAS, João. Indivíduo preto. In: SAÚTE, Nelson (org.). As mãos dos pretos. Antologia do conto moçambicano. 2.ed. Lisboa: D. Quixote, 2000.

FERNANDES, Andrea. O hóspede. In: PALLAS EDITORA (org.). Contos do mar sem fim: antologia afro-brasileira. Rio de Janeiro: Pallas; Guiné-Bissau: Ku Si Mon; Angola: Chá de Caxinde, 2010.

HONWANA, Luis Bernardo. As mãos dos pretos. In: CHAVES, Rita (org.). Contos africanos dos países de língua portuguesa. São Paulo: Ática, 2009. Coleção Para Gostar de Ler, n.44.

MELO, João. Natasha. In: Filhos da pátria. Rio de Janeiro: Record, 2008.

MELO, João. Efeito estufa. In: Filhos da pátria. Rio de Janeiro: Record, 2008.

PEPETELA. Estranhos pássaros de asas abertas. In: ALMEIDA, Domingas de (org.). Como se viver fosse assim. Antologia do conto angolano. Luanda: UEA, 2009.

RUI, Manuel. Mulato de sangue azul. In: Regresso adiado. Contos. Lisboa: Cotovia, 2000.

SAÚTE, Nelson. A mulher dos antepassados. In: Rio dos bons sinais. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2007. Coleção Ponta de Lança.

SEMEDO, Odete Costa. A lebre, o lobo, o menino e o homem do pote. In: CHAVES, Rita (org.), 2009

VIEIRA, Luandino. Zito Makoa, da 4ª classe. In: CHAVES, Rita (org.), 2009.

VIEIRA, Luandino. À sexta-feira. In: Vidas novas. 5.ed. Cuba: Ediciones Cubanas; União dos Escritores de Angola, 1985.

XITU, Uanhenga. “Mestre” Tamoda. In: “Mestre” Tamoda e Kahitu: contos. São Paulo: Ática, 1984.

Africana Eyelashes_Cyrus Kabiru (Quênia, 2014)

(“Africana Eyelashes”, Cyrus Kabiru, 2014)

Participe da IV Marcha, reaja contra a naturalização da violência racializada no Brasil  

Prezadxs discentes integrantes dos cursos da LET C47 e LET C55 que ministro neste semestre, em decorrência da realização da IV MARCHA CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO, evento que se inicia às 15h no Largo dos Aflitos, Centro de Salvador, suspendo nossos encontros no dia 29, tendo em vista agregar todos que o desejarem a essa manifestação.

Conforme  expus na aula de quarta-feira, não posso deixar de me solidarizar publicamente com o protesto mobilizado pelo grupo Reaja Ou Será Mortx, apontando com justificada veemência para gravíssimo problema brasileiro, se não o pior de todos: a destruição persistente de vidas, em escala cada vez maior e mais cruel, em função da reprodução institucional de valores racistas. Assim sobrevive, como um vampiro, ou como um dispositivo biopolítico de discriminação, o sistema escravagista que explorou e assassinou milhões de africanos e afrobrasileiros durante séculos. Sistema que continua a exterminar futuros de todas as cores e possibilidades.

Convido a todxs para meditar e assumir posicionamentos quanto a essa terrível questão que transpassa nossa sociedade.

https://www.facebook.com/ReajaOuSeraMortaReajaOuSeraMorto/

linguagem & africanidade: antologia de textos literários

Elsa Gebreyesus_In the begining (Eritreia)
(“In the begining”, Elsa Gebreyesus)

  • textos narrativos

ARRIMAR, Jorge. Malfadada e os kimbandeiros. In: PALLAS EDITORA. Contos do mar sem fim: antologia afro-brasileira (org.). Rio de Janeiro: Pallas; Guiné-Bissau: Ku Si Mon; Angola: Chá de Caxinde, 2010.

COUTO, Mia. O cachimbo de Felizbento. In: Estórias abensonhadas. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

SAÚTE, Nelson. A mulher dos antepassados. In: Rio dos bons sinais. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2007. Coleção Ponta de Lança.

SEMEDO, Odete. A lebre, o lobo, o menino e o homem do pote. In: CHAVES, Rita (org.). Contos africanos dos países de língua portuguesa. São Paulo: Ática, 2009. Coleção Para Gostar de Ler, n.44.

PEPETELA. Yaka. 5.ed. Portugal: D. Quixote, 1984.

VIEIRA, Luandino. Cardoso Kamukolo, sapateiro. In: Vidas novas. 5.ed. Cuba: Ediciones Cubanas; União dos Escritores de Angola, 1985.

XITU, Uanhenga. “Mestre” Tamoda. In: “Mestre” Tamoda e Kahitu: contos. São Paulo: Ática, 1984.

 


  • textos poéticos

craveirinha rosto

JOSÉ CRAVEIRINHA

ÁFRICA

Em meus lábios grossos fermenta
a farinha do sarcasmo que coloniza minha Mãe África
e meus ouvidos não levam ao coração seco
misturada com o sal dos pensamentos
a sintaxe anglo-latina de novas palavras.

Amam-me com a única verdade dos seus evangelhos
a mística das suas missangas e da sua pólvora
a lógica das suas rajadas de metralhadora
e enchem-me de sons que não sinto
das canções das suas terras
que não conheço.

E dão-me
a única permitida grandeza dos seus heróis
a glória dos seus monumentos de pedra
a sedução dos seus pornográficos Rolls-Royce
e a dádiva quotidiana das suas casas de passe.
Ajoelham-me aos pés dos seus deuses de cabelos lisos
e na minha boca diluem o abstracto
sabor da carne de hóstias em milionésimas
circunferências hipóteses católicas de pão.

E em vez dos meus amuletos de garras de leopardo
vendem-me a sua desinfectante benção
a vergonha de uma certidão de filho de pai incógnito
uma educativa sessão de «strip-tease» e meio litro
de vinho tinto com graduação de álcool de branco
exacta só para negro
um gramofone de magaíza
um filme de heróis de carabina a vencer traiçoeiros
selvagens armados de penas e flechas
e o ósculo das suas balas e dos seus gases lacrimogéneos
civiliza o meu casto impudor africano.

Efígies de Cristo suspendem ao meu pescoço
em rodelas de latão em vez dos meus autênticos
mutovanas de chuva e da fecundidade das virgens
do ciúme e da colheita de amendoim novo.
E aprendo que os homens inventaram
a confortável cadeira eléctrica
a técnica de Buchenwald e as bombas V2
acenderam fogos de artifício nas pupilas
de ex-meninos vivos de Varsóvia
criaram Al Capone, Hollywood, Harlem
a seita Ku-Klux-Klan, Cato Mannor e Sharpeville
e emprenharam o pássaro que fez o choco
sobre os ninhos mornos de Hiroshima e Nagasaki
conheciam o segredo das parábolas de Charlie Chaplin
lêem Platão, Marx, Gandhi, Einstein e Jean-Paul Sartre
e sabem que Garcia Lorca não morreu mas foi assassinado
são os filhos dos santos que descobriram a Inquisição
perverteram de labaredas a crucificada nudez
da sua Joana D’Arc e agora vêm
arar os meus campos com charruas «made in Germany»
mas já não ouvem a subtil voz das árvores
nos ouvidos surdos do pasmo das turbinas
não lêem nos meus livros de nuvens
o sinal das cheias e das secas
e nos seus olhos ofuscados pelos clarões metalúrgicos
extinguiu-se a eloquente epidérmica beleza de todas
as cores das flores do universo
e já não entendem o gorjeio romântico das aves de casta
instintos de asas em bando nas pistas do éter
infalíveis e simultâneos bicos trespassando sôfregos
a infinita côdea impalpável de um céu que não existe.
E no colo macio das ondas não adivinham os vermelhos
sulcos das quilhas negreiras e não sentem
como eu sinto o prenúncio mágico sob os transatlânticos
da cólera das catanas de ossos nos batuques do mar.
E no coração deles a grandeza do sentimento
é do tamanho cow-boy do nimbo dos átomos
desfolhados no duplo rodeo aéreo no Japão.

Mas nos verdes caminhos oníricos do nosso desespero
perdoo-lhes a sua bela civilização à custa do sangue
ouro, marfim, améns
e bíceps do meus povo.

E ao som másculo dos tantãs tribais o Eros
do meu grito fecunda o húmus dos navios negreiros…
E ergo no equinócio da minha Terra
o moçambicano rubi do nosso mais belo canto xi-ronga
e na insólita brancura dos rins da plena Madrugada
a necessária carícia dos meus dedos selvagens
é a tácita harmonia de azagaias no cio das raças
belas como altivos falos de ouro
erectos no ventre nervoso da noite africana.
***

KARINGANA UA KARINGANA*

Este jeito
de contar as nossas coisas
à maneira simples das profecias
— Karingana ua Karingana —
é que faz o poeta sentir-se
gente.

E nem
de outra forma se inventa
o que é propriedade dos poetas
nem em plena vida se transforma
a visão do que parece impossível
em sonho do que vai ser.

— Karingana!

[*Fórmula clássica de iniciar um conto e que possui o mesmo significado de “Era uma vez”.]

***

TIMBILEIROS

A maviosa
velha canganhiça dos timbileiros
acaba os ócios.

E toda a Zavala
bate e torna a bater agora
a cadência dos corações da turba
dançando as amotinações voluptuosas
das timbilas de ossos.

***

TINGANE

(Para o Rui Nogar, “pai” de Tingane)

No coração do homem
a vida era um grande terreno
de capim fresco e de chuva e sol
dando um sentido às folhas dos cajueiros
e acariciando os trêmulos seios
ao pilar do milho.

E era o feitiço dos dedos
em sonhos de compasso
o mundo libertado na marrabenta
dos arames tensos numa tábua de Tingane.

Passos soltos
tarde Xipamanine de domingo
e Tingane rua e viola Tingane
ritmo
ritmo
velho ritmo inconcebível
de uma dança nova!
***

MENSAGEM

(Para a Carol, agora ex-Noêmia de Sousa)

Ouvi tua canção distante
tua voz rouca de saudade dos caminhos de nascença
ouvi e guardei no coração.

E tua voz minha voz nossa voz
não quer grades nem fronteiras
e distância também é grade
também é fronteira dentro de nós.

Ouvi tua voz rouca de saudade
e não encontrei ave solta dos dias
e das noites da Munhuana
e venho aqui chamar teu sangue meu sangue no sangue
venho aqui chamar Carolina
Carolina…! Carolina…!
com a mesma voz minha voz nossa voz
mesmo sangue teu sangue meu sangue nosso sangue
que saudade pode enrouquecer no cantar distante
mas desespero tem que fazer flor em toda parte.
***
A FRATERNIDADE DAS PALAVRAS

O céu
é uma m’benga
onde todos os braços das mamanas
repisam os bagos de estrelas.

Amigos:
as palavras mesmo estranhas
se têm música verdadeira
só precisam de quem as toque
ao mesmo ritmo para serem
todas irmãs.

E eis que num espasmo
de harmonia como todas as coisas
palavras rongas e algarvias ganguissam
neste satanhoco papel
e recombinam o poema.

[m’benga – pote de barro; mamanas – mulheres; ronga – dialeto mais meridional do grupo linguístico banto tsonga, falado numa pequena área que inclui a cidade do Maputo; gangussam – namoram; satanhoco – uma coisa que não presta]
***
AO MEU BELO PAI EX-EMIGRANTE

Pai:
as maternas palavras de signos
vivem e revivem no meu sangue
e pacientes esperam ainda a época de colheita
enquanto soltas já são as tuas sentimentais
sementes de emigrante português
espezinhadas no passo de marcha
das patrulhas de sovacos suando
as coronhas de pesadelo.

E na minha rude e grata
sinceridade não esqueço
meu antigo português puro
que me geraste no ventre de uma tombasana
eu mais um novo moçambicano
semiclaro para não ser igual a um branco qualquer
e seminegro para jamais renegar
um glóbulo que seja dos Zambezes do meu sangue.

E agora
para além do antigo amigo Jimmy Durante a cantar
e a rir-se sem nenhuma alegria na voz roufenha
subconsciência dos porquês de Buster Keaton sorumbático
achando que não valia a pena fazer cara alegre
e um Algarve de amendoeiras florindo na outra costa
ante os meus sócios Bucha e Estica no “écran” todo
e para sempre um zinco tap-tap de cacimba no chão
e minha Mãe agonizando na esteira em Michafutene
enquanto tua voz serena profecia paternal: – “Zé:
quando eu fechar os olhos não terás mais ninguém.”

Oh, Pai:
Juro que em mim ficaram laivos
do luso-arábico Algezur da tua infância
mas amar por amor só amo
e somente posso e devo amar
esta minha bela e única nação do Mundo
onde minha mãe nasceu e me gerou
e contigo comungou a terra, meu Pai.
E onde ibéricas heranças de fados e broas
se africanizaram para a eternidade nas minhas veias
e teu sangue se moçambicanizou nos torrões
da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital
colono tão pobre como desembarcaste em África
meu belo Pai ex-português.

Pai:
O Zé de cabelos crespos e aloirados
não sei como ou antes por tua culpa
o “Trinta-Diabos” de joelhos esfolados nos mergulhos
à Zamora nas balizas dos estádios descampados
avançado-centro de “bicicleta” à Leónidas no capim
mortífera pontaria de fisga na guerra aos gala-galas
embasbacado com as proezas do Circo Pagel
nódoas de caju na camisa e nos calções de caqui
campeão de corridas no xitututo Harley-Davidson
os fundilhos dos calções avermelhados nos montes
do Desportivo nas gazetas à doca dos pescadores
para salvar a rapariga Maureen O’Sullivan das mandíbulas
afiadas dos jacarés do filme de Tarzan Weissmuller
os bolsos cheios de tingolé da praia
as viagens clandestinas nas traseiras gã-galhã-galhã
do carro eléctrico e as mangas verdes com sal
sou eu, Pai, o “Cascabulho” para ti
e Sontinho para minha Mãe
todo maluco de medo das visões alucinantes
de Lon Chaney com muitas caras.

Pai:
Ainda me lembro bem do teu olhar
e mais humano o tenho agora na lucidez da saudade
ou teus versos de improviso em loas à vida escuto
e também lágrimas na demência dos silêncios
em tuas pálpebras revejo nitidamente
eu Buck Jones no vaivém dos teus joelhos
dez anos de alma nos olhos cheios da tua figura
na dimensão desmedida do meu amor por ti
meu belo algarvio bem moçambicano!

E choro-te
chorando-me mais agora que te conheço
a ti, meu pai vinte e sete anos e três meses depois
dos carros na lenta procissão do nosso funeral
mas só Tu no caixão de funcionário aposentado
nos limites da vida
e na íris do meu olhar o teu lívido rosto
ah, e nas tuas olheiras o halo cinzento do Adeus
e na minha cabeça de mulatinho os últimos
afagos da tua mão trémula mas decidida sinto
naquele dia de visitas na enfermaria do hospital central.

E revejo os teus longos dedos no dirlim-dirlim da guitarra
ou o arco da bondade deslizando no violino da tua aguda tristeza
e nas abafadas noites dos nossos índicos verões
tua voz grave recitando Guerra Junqueiro ou Antero
e eu ainda Ricardito, Douglas Fairbanks e Tom Mix
todos cavalgando e aos tiros menos Tarzan analfabeto
e de tanga na casa de madeira e zinco
da estrada do Zichacha onde eu nasci.

Pai:
Afinal tu e minha mãe não morreram ainda bem
mas sim os símbolos Texas Jack vencedor dos índios
e Tarzan agente disfarçado em África
e a Shirley Temple de sofismas nas covinhas da face
e eu também é que mudámos.
E alinhavadas palavras como se fossem versos
bandos de sécuas ávidas sangrando grãos de sol
no tropical silo de raivas eu deixo nesta canção
para ti, meu Pai, minha homenagem de caniços
agitados nas manhãs de bronzes
chorando gotas de uma cacimba de solidão nas próprias
almas esguias hastes espetadas nas margens das húmidas
ancas sinuosas dos rios.

E nestes versos te escrevo, meu Pai
por enquanto escondidos teus póstumos projectos
mais belos no silêncio e mais fortes na espera
porque nascem e renascem no meu não cicatrizado
ronga-ibérico mas afro-puro coração.
E fica a tua prematura beleza afro-algarvia
quase revelada nesta carta elegia para ti
meu resgatado primeiro ex-português
número UM Craveirinha moçambicano!
***

UM CÉU SEM ANJOS DE ÁFRICA

(À Guilhermina e ao Egídio)

Detinha
a menina de cinco anos
tinha pai e tinha mãe
e tinha duas irmãs, Senhor!
Detinha
a menina de cinco anos
tinha uma filha de retalhos de chita
e fazia duas covinhas de ternura na face
quando sorria, Senhor!
Detinha
a menina de cinco anos
tinha uma filha de ágeis pernas de pano
olhos brilhantes de cabeças de alfinete
e fulvos cabelos de maçarocas maduras
que a febre derradeira da Detinha
não contaminou.
Olhos cerrados suavemente
boneca Detinha dos seus pais
adormeceu de tétano para sempre
mãozinhas postas sobre o peito
um vestido de renda branca
mais um anjo nosso partiu
no adeus silencioso de boneca
verdadeira num fúnebre berço branco
nossa Detinha tão pura na Munhuana
que até ainda não sabia que era mulata.
Oh! África!
Quantos anjos já nasceram das tuas Munhuanas de amor
e quantas Detinhas partiram para sempre dos teus braços
e quantos filhos inocentes deixaram o teu colo maternal
geraram rios e rios de lágrimas no teu rosto escravizado
e dormiram sem pesadelos na vasta solidão
de um coval mínimo de criança infelizmente
sem as duas covinhas na face
quando sorriam, Senhor?
E ainda não temos um talhão de céu azul para todos
e novamente uma África para amar à nossa imagem
num anjo verdadeiro anjo também cor da nossa pele
e da mesma carne mártir de feitiços estranhos
e o nosso sangue vermelho vermelho quente
como o sangue vermelho de toda a gente.
Para o tal céu onde existe o tal Deus que não sabe
línguas de África línguas de África línguas de África
e só sorriem anjos brancos de asas impossíveis de arminho
precisamente onde esse arminho só pode ser algodão de sofrimento
ainda não há lugar para meninas puras da cor
das meninas filhas e netas de mães e avós pretas
da nossa Detinha que partiu ainda boneca
e tão pura que ainda não sabia que era mulata.
E brinquedos de trapos não se misturam na Munhuana
com bonecas loiras de sapatos e tudo
porque os pais arianos rezando nas catedrais
não deixam, Senhor!
***

BOATO DO VELHO USSENE

Esposa e filhos do velho Ussene
são genuínos espíritos
de fábula.

Por agora o boato apenas põe o velho Ussene
refém-camionista sequestrado
no meio da mata.

Ou
falsa africanitude ou pura africanice
enquanto este feitiço não souber
onde está ou não está o velho Ussene
Mas quando?
A mulher e os filhos vão magicando
a boa nova do velho Ussene
mãos no volante
a saltar dos boatos
e a chegar a casa.


Paula Tavares rosa

PAULA TAVARES
ENTRE LUZ E SOMBRA

(A Leopold Sédar Senghor)

A sombra desliza
por detrás dos vimes
celebra-se a hora
os mortos abandonam os vivos
para viver em paz
por entre as veias finas da terra.

Acendo com as mãos das mães
a candeia antiga de óleo de palma
A serpente do lugar dorme
sobre seus ovos de vida
Os guardiães das fontes
preparam a madrugada
enquanto as mulheres dos clãs
de cima
provam a comida da noite
e velam pelo fogo
das oferendas.

Uma antiga fúria oferece
a fórmula
limpa as palavras
de todas as sílabas mortas.

Regressa a velha canção serere
de seda e sombra
como o silêncio das mães.

O nó da voz atravessou a vida
sustenta a metade da terra
onde deslizam as sombras
por detrás dos vimes
Celebra-se então a hora
os mortos abandonam os vivos
entre sombra e luz
nas veias finas da terra.
***

BOI À VELA

Os bois nascidos na huíla
são altos, magros
navegáveis
de cedo lhes nascem
cornos
leite
cobertura
os cornos são volantes
indicam o sul
as patas lavram o solo
deixando espaço para
a semente
a palavra
a solidão
***
ALPHABETO

Dactilas-me o corpo
de A a Z
e reconstróis
asas
seda
puro espanto
por debaixo das mãos
enquanto abertas
aparecem, pequenas
as cicatrizes

***

Chorar não chorar
a planície fica na mesma

PROVÉRBIO CABINDA

colonizámos a vida
plantando
cada um no mar do outro
as unhas da distância da palavra da loucura
enchendo de farpas a memória
preenchemos os dias de vazio

no alto destes muros
muito brancos
duas bandeiras velhas
a meia-haste
saúdam-se, solenes
***

Perguntas-me do silêncio
eu digo

meu amor que sabes tu
do eco do silêncio
como podes pedir-me palavras
e tempo

se só o silêncio permite
ao amor mais limpo
erguer a voz
no rumor dos corpos
***

MUKAI (2)

O ventre semeado
deságua cada ano
os frutos tenros
das mãos
(é feitiço)

nasce
a manteiga
a casa
o penteado
o gesto
acorda a alma
a voz
olha pra dentro do silêncio milenar.
***
AMARGOS COMO OS FRUTOS

Dizes-me coisas tão amargas
como os frutos…
KWANYAMA

Amado, porque voltas
com a morte nos olhos
e sem sandálias
como se um outro te habitasse
num tempo
para além
do tempo todo

Amado, onde perdeste tua língua de metal
a dos sinais e do provérbio
com o meu nome inscrito

Onde deixaste a tua voz
macia de capim e veludo
semeada de estrelas

Amado, meu amado
o que regressou de ti
é a tua sombra
dividida ao meio
é um antes de ti
as falas amargas
como os frutos
***

VIAGEM

Preparei-te na pedra da casa
asas do pássaro Kalulu
com pedaços de árvores destroçadas pelos raios
e resina quente.
Chamei a metade gémea do espírito
para te passar remédios
da cabeça aos pés.

No fundo de meu corpo perfeito
escondi
pedaços de argila e feitiços fortes.

Em cada uma das doze cabaças da origem
deitei o vinho dos votos
um pano novo da costa
três missangas azuis
e cera da colmeia menor.

Todos os dias conservei aceso o fogo sagrado
Na hora dos fantasmas
o vento diz-me a tua voz
é a voz das viagens
sem regresso.
***

TECIDOS

Meu corpo
é um tear vertical
onde deixaste cruzadas
as cores da tua vida: duas faixas um losango
marcas da peste.

Meu corpo
é uma floresta fechada
onde escolheste o caminho

Depois de te perderes
guardaste a chave e o provérbio.
***

O CERCADO

De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó

Onde está a panela do provérbio, mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado

De que cor era a minha voz, mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias

Onde está o tempo prometido p’ra viver, mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p’ra lá do cercado
***

Não digo a palavra mesmo que o musgo
Nasça na tua sede
Os olhos brilhem de sono antigo
Não, não digo a palavra
Mesmo que seja tua a casa
A palmeira, a esteira, o chão dos dois
Não, não me peça a palavra
Essa que abre o cofre
A montanha e as outras árvores
De mim só tens o silêncio
O sono desacordado das horas
Infinitas horas
Pudesse eu abrir os lábios
E a palavra simples
A do verso e da água
Soaria contra a parede

***

Fosse urdu a minha língua
E o mais antigo som
Encheria de eco
O coração

Fosse música a minha língua
E voariam pássaros
Do meu peito e minha árvore

Fosse dança a minha língua
E meu corpo do vime
Saberia a dobra

Teatro contemporâneo baiano e oralidade de matriz africana

TEATRO GRIÔ apresenta:

TEMPO DE HISTÓRIAS

O grupo Teatro Griô realizará de 05 a 13 de agosto, no Teatro do ICBA (Corredor da Vitória), o evento “Tempo de histórias”, que traz em sua programação três espetáculos do repertório do grupo inspirados em narrativas de tradição oral tecidas em diferentes tempos e lugares. Com opções para toda a família, e apresentações para o público de todas as idades.

Nos dias 05 e 06 de agosto, sexta e sábado, às 20 horas, será apresentado o espetáculo “Histórias de Mãe Beata”; nos dias 06 e 13 de agosto, sábados, às 16 horas, será apresentado o espetáculo infantil de narração de histórias “Um passarinho me contou… histórias para ouvir, cantar e encantar”; e nos dias 12 e 13 de agosto, sexta e sábado, às 20 horas, será apresentado o espetáculo “Histórias da Árvore Tempo”.

“HISTÓRIAS DE MÃE BEATA”

Ancestralidade e sabedoria popular são os fios condutores da montagem “Histórias de Mãe Beata”. As fábulas recheadas de magia trazem à cena os contos da Yalorixá de Cachoeira, Mãe Beata de Yemonjá, registrados no seu livro Caroço de Dendê. Nas tramas, sempre costuradas por músicas e danças, traduzem-se a vida e o encanto do Recôncavo Baiano, os mitos dos orixás e histórias de seres astutos e sagrados. A encenação de Rafael Morais faz uma imersão nos mitos e lendas narrados por Mãe Beata, inspirados pela tradição e memória e cultura dos povos africanos. A direção musical é de Ricardo Hardman; os Figurinos de Tânia Soares e as Coreografias de Leda Maria Ornelas.

“UM PASSARINHO ME CONTOU… histórias para ouvir, cantar e encantar”

O espetáculo “Um passarinho me contou… histórias para ouvir, cantar e encantar” é uma sessão de histórias do Teatro Griô, inspirada em contos populares brasileiros. A trama revela a jornada de uma menina em busca de seu passarinho que fugiu da gaiola. Ao se deparar com as histórias contadas por diferentes personagens, ela reflete sobre a importância da liberdade. A direção e os figurinos são de Tânia Soares e a direção musical de Lívia Nery e Ricardo Hardman.

“HISTÓRIAS DA ÁRVORE TEMPO”

“Histórias da árvore tempo” é uma sessão de contos e mitos afro-brasileiros que trata de mistérios de vida e morte. Em suas tramas urdidas com espanto, simplicidade e doçura, revela-se a maravilha, a miséria e a fugacidade da existência humana em sua eterna dança entre criação e destruição. Texto e direção de Rafael Morais. Músico convidado: André Luís Almeida.

SOBRE O GRUPO TEATRO GRIÔ

O Teatro Griô é um grupo de pesquisa e prática do teatro, tem como fonte de inspiração a arte dos contadores de história de matriz africana, artistas populares e palhaços, que representam a verdadeira essência humana com sua simplicidade, humor e poesia. Criado desde 1998 anos, pelos artistas Rafael Morais e Tânia Soares, o grupo, que já contabiliza vários prêmios, realiza diversas apresentações artísticas nos mais variados espaços cênicos, como teatros, centros culturais, praças e ruas. O grupo desenvolve pesquisas e metodologias próprias, além de espetáculos, oferece cursos e oficinas artísticas para pessoas com ou sem experiência de todas as idades.

SERVIÇO:

EVENTO: TEMPO DE HISTÓRIAS

LOCAL: Teatro do ICBA, Corredor da Vitória, 1809

INGRESSO: R$ 30,00(inteira) / R$ 15,00 (meia)

Dias 05 e 06 de agosto – HISTÓRIAS DE MÃE BEATA – 20h

Dias 06 e 13 de agosto – UM PASSARINHO ME CONTOU – 16h

Dias 12 e 13 de agosto – HISTÓRIAS DA ÁRVORE TEMPO – 20h

Contatos:(71) 3018-4888 / 98763-5293/98763-5220

teatro@teatrogrio.com.br

http://www.teatrogrio.com.br

http://www.fb.me/teatrogrio

abrindo caminhos para a educação brasileira: Muniz Sodré, perfil & propostas

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Muniz Sodré: o eterno novo baiano

Raika Julie Moisés(raika@observatoriodefavelas.org.br)

Aos 70 anos, Muniz Sodré – um dos pensadores brasileiros mais influentes na atualidade – demonstra que experiência e modernidade caminham juntas.  Autor de mais de 30 livros e centenas de artigos, este baiano de São Gonçalo dos Campos, traz para o cenário contemporâneo, temas que permeiam comunicação, filosofia, política e cultura.

Capoeirista de essência – foi aluno de mestre Bimba, a quem dedicou o livro “Corpo de Mandinga” – o Obá de Xangô e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nesta entrevista para o Notícias&Análises, fala um pouco de sua obra, dos caminhos que envolvem diversidade étnico-racial, mídia e educação. “Sou um negro moderno. Bateu, eu jogo capoeira”.

Notícias&Análises: “Reinventando a educação” (recém-lançado), dentre outras abordagens, destaca as mudanças que surgiram com a chegada das novas tecnologias e a influência da comunicação neste processo. Qual o grau de sensibilidade dos pensadores da Educação no Brasil a respeito da importância das transformações promovidas pela Comunicação?

Muniz Sodré:Neste livro eu questiono o modelo de educação que temos hoje, oriundo do século XIX e que não atende à modernidade, nem a especificidade de cada país.  Eu não sou da área de educação, mas o que eu vejo me decepciona um pouco. Os livros mais vendidos e mais avançados são assim considerados porque falam de Marx e introduzem a questão da luta de classes, o que representa um avanço, mas não é suficiente. O Ministério da Educação aceita esta forma de organização de forma acrítica. É um modelo de educação neoliberal, limitado e para poucos.

N&A: Pode-se afirmar que a diversidade e/ou propostas inovadoras, como cursos livres, pré-vestibulares comunitários, para a formação dos estudantes também ficam sem espaço?

MS:Sem dúvida! Não há espaço para a diversidade cultural, nem para a sensibilidade. Há que considerar os diversos saberes e incorporar a novidade. Eu também não vejo abertura para, por exemplo, os pré-vestibulares comunitários. Não há apoio financeiro, nem reconhecimento dos esforços individuais e coletivos, quem faz tem que se desdobrar para participar e quem oferece, normalmente, busca recursos próprios e garante a chegada daquele estudante à universidade desenvolvendo novas metodologias que também não são reconhecidas, nem fortalecidas. As formas de saber tem que dar as mãos.. Não basta ter laptop e tablet nas salas. A questão da educação é o professor. Tecnologias vão ser incorporadas se houver revalorização da função dos docentes. O professor tem que estar no centro.

N&A: E no que tange a mídia, comunicação e questões étnicos-raciais?

MS:Sendo a comunicação um setor conservador e reacionário, caberia então a educação cobrir este papel, mas isto não ocorre. Ela não acompanha as decorrências da tecnologia e seus desdobramentos. Na Bahia, por exemplo, sabemos que os professores de piano e pintores do início do século, eram, em sua maioria, negros. Nenhuma escola propaga ou fortalece este discurso. Só sabe quem pesquisa e quem pode pesquisar.

N&A: Assim, o que chamamos de apropriação perde um pouco do seu sentido…

MS: Sim. Eu vejo a apropriação como uma forma de entrar nas ferramentas da modernidade e no uso das mesmas. Não há apropriação bruta, ela é soft, se dá por sensibilidade, proximidade, é uma relação que se constrói na afetividade. Por exemplo, na escrita, a apropriação se deu pelo uso que se fazia dela e não pela escrita impressa, pela prensa das palavras. Se você não se insere e nem está inserido, educacionalmente, não há apropriação de fato.

N&A: Ainda neste tema, por que tantos leitores e pesquisadores se apropriam de suas obras?

MS: Eu não acho que as pessoas se apropriam tanto da minha obra como dizem. Até gostaria que se apropriassem mais. Meus livros de literatura, mesmo relançados, não aparecem em nenhuma resenha da grande mídia, nem nada. Estão na circulação alternativa. Mas eu sigo escrevendo porque acredito nos públicos invisíveis. Há uma economia e leitores invisíveis que compram, leem, discutem. E isso me motiva. Já meus livros teóricos tem ideias. São absorvidos também pelos invisíveis e por pessoas ecléticas. E isto, também me motiva. Sou um negro moderno, sou eclético e sou capoeirista. Bateu, eu jogo capoeira. É assim que funciona com meus livros.

N&A: Ao longo de sua obra, foi construída uma teoria da Comunicação e a defesa de que ela deva ser entendida como uma ciência. Quais as contribuições efetivas que a Comunicação pode oferecer para a sociedade? 

MS:A partir da filosofia, nascem as ciências sociais no século XIX. Já existiam questões relativas a condição humana, que, após a Revolução Francesa, assumiram formas históricas modernas. Na sociologia, por exemplo, as ideias que caracterizam seu período de desenvolvimento estão relacionadas com a crise da formação social e para a natureza ética originárias da sociedade tradicional e da tradição filosófica. Reinvindicar a comunicação como um pensamento científico não é um ato formal ou acadêmico, é político, no sentido de que é preciso refletir sistematicamente sobre um campo em que é difícil distinguir a prática do consumo da prática do conhecimento. É necessário resgatar a comunicação como pensamento do conservadorismo neoliberal, que deposita a força utópica do homem no mercado e na máquina.

N&A: Por que não causa estranhamento o fato de a TV ter um número muito superior de brancos em relação ao de negros, já que negros e pardos são mais da metade da população brasileira?

MS:Sabemos que quem dirige estes meios são sujeitos de classe dominante, brancos. E a invisibilidade do negro para a maioria deles também é natural e vem de muito tempo. Anos atrás, quando eu trabalhava na Editora Bloch, o Zuenir Ventura sugeriu a um dos editores, colocar como foto de capa Lupicínio Rodrigues e o editor disse que não. Nós questionamos e o editor disse que negro não vendia. Zuenir retrucou dizendo que no carnaval vendia e ele reforçou: no carnaval. Situações como estas se repetem ainda hoje e estão ligadas as representações que todo o tempo querem ser reafirmadas. Mas temos que reconhecer que houve uma melhora, não podemos nos acomodar no discurso do ressentido. E atribuo estes avanços, ainda que pequenos, aos negros que tem compromisso com a comunidade, com a História a que pertencem. Porque não é a cor da pele quem define o negro, é o seu comprometimento com sua essência e suas origens.

N&A:  Há um movimento, inclusive midiático, onde todos se dizem – de alguma forma – descendentes de negros ou adeptos de religiões como o candomblé ou a umbanda, mas não há nenhuma discussão concreta sobre ser negro no Brasil. Como você analisa este fato?

MS:A verdade é que ninguém jamais quis ser preto no Brasil. Conforme você ascende social ou economicamente, você embranquece. Se distancia da sua cor, da sua origem. Ao mesmo tempo em que o meio a meio, a mistura, é típica do brasileiro. Nesta lógica, isto é positivo porque você tem que encarar e conviver com a diversidade étnico-racial, principalmente se você a chama pra si. Quando você é meio isso, meio aquilo, você tem que defender as duas metades. Em Paris, por exemplo, eu vivo muito esse meio a meio. Lá eu sou árabe, argelino ou mulato, menos negro. Mas minha essência, minha capoeira, minha dança, meu terreiro e meu compromisso é que dizem que eu sou negro. São eles que me caracterizam negro.

N&A: De que forma os meios de comunicação contribuem, no campo das representações, para o fortalecimento da intolerância religiosa? Qual o papel da escola neste sentido?   

MS: Quando a escola aceita ensino religioso, predominantemente, de religião dominante, a intolerância cresce. Quando os cultos negros são reprimidos e denominados cultos do diabo, dentro da escola, a intolerância se fortalece. Enquanto os meios preservarem os estigmas e a escola não chamar para si esta discussão, não questionar e não incluir as outras religiões no seu contexto histórico e pedagógico, principalmente quando as religiões dominantes estão assumindo o parlamento, desta forma intolerância vai se perpetuar. E é educando para o respeito, para a diversidade, rompendo com o conservadorismo que se detem isso.

N&A: Se Muniz Sodré não fosse quem ele é, quem ele gostaria ou poderia vir a ser?

MS:Eu gosto de ser eu mesmo. Gosto da minha capoeira, da minha história, me encontro nela, principalmente, comigo mesmo. Além disso, se eu não fosse o que eu sou, a mulher que eu tenho não estaria comigo e a vida, a luz pra mim é ela. Do contrário, não faria sentido.Assim eu gosto deste mim mesmo.

Fonte: LECC / Observatório de Favelas

muniz reinventando capa

“Verba é necessária para a educação. Mas sem verbo, a verba é estéril”

Ederson Granetto conversa com o professor Muniz Sodré, da UFRJ, sobre o livro Reinventando a Educação – Diversidade, descolonização e redes, publicado recentemente pela Editora Vozes. A obra traz um estudo sobre como enfrentar os desafios de educar no século XXI, num mundo globalizado e afogado em novas tecnologias de comunicação e informação.