simpósio AFRO-RIZOMAS: divulgação

Relevo Emblema 9 , 1977

Prezad@s Colegas & Malung@s

Apresentamos aqui nossa proposta de simpósio a ser realizado no âmbito do XII CONGRESSO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LITERATURA COMPARADA 2011 (ABRALIC, 18 a 22/07/2011, Curitiba). Como poderão observar, essa proposta tem como principal objetivo construir um espaço abrangente, interdisciplinar, dialógico e diaspórico para a apresentação de pesquisas relacionadas às produções literárias que colocam discursos e sentidos de matriz negra e africana em primeiro plano. Aos que se interessarem em participar, o prazo de submissão de resumos vai de 14/03 a 15/04/2011. Sistema de inscrição e maiores informações podem ser acessados no link destacado a seguir, ou mediante contato com @s Cooordenador@s:

http://www.abralic.org.br/informativo/2010/64

Contamos com sua colaboração na divulgação dessa proposta.

AFRO-RIZOMAS: LITERATURAS AFRO-BRASILEIRA E AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Coordenadores:

Prof. Dr. José Henrique de Freitas Santos (UFBA, <henriquebeat@gmail.com>)

Prof. Dr. Jesiel Ferreira de Oliveira Filho (UFS, <negroatlantico@gmail.com>)

Profª Drª Maria Nazaré Mota Lima (UNEB, <librianar@gmail.com>)

As literaturas africanas de língua portuguesa e afro-brasileira derivam de relações diversas que perpassam a experiência colonial lusitana, a noção de diáspora, o processo de (re)invenção das tradições e a constituição de redes rizomáticas que foram tecidas internamente e para além-ar, a fim de autogerir as identidades através das quais Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Portugal e Brasil representam-se e são representados na produção literária contemporânea escrita em língua portuguesa.

Se o rizoma (DELEUZE, 2004) opera a partir de uma lógica de descentramento, pela qual não é possível demarcar sua origem de forma unilateral, nem tampouco pensá-lo a partir de uma teleologia, os afro-rizomas constituem-se como uma reversão da perspectiva que toma exclusivamente a influência colonial lusitana como determinante para a emergência das literaturas no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa, reconfigurando, desta forma, as relações em jogo. O termo afro, neste contexto, é ressignificado pela perspectiva da diáspora, que, de acordo com HALL (2003) e GILROY (2001), não se refere apenas à dispersão dos povos africanos pelo mundo, mas, principalmente, à construção de um novo espaço simbólico no qual a reversão da condição subalterna imposta pela escravização africana é realizada continuamente em campos como a música, a literatura e a produção cultural. Desta forma, assim como a literatura afrobrasileira soergue-se historicamente no Brasil afirmando uma estética negra em diálogo com a África, a partir do tensionamento de um cânone instituído que invisibiliza as produções e as representações afrobrasileiras, as literaturas africanas de língua portuguesa emergem também como escritas de si para além de uma circunscrição geopolítica, através de uma tessitura que opera entre tradições e modernidades, entre o local e o global, sem furtar-se a avaliar os projetos nacionais reservados aos países lusófonos de África. É importante ressaltar como a reavaliação da empresa colonial lusitana no Brasil e nos países africanos também tem sido tema recorrente na literatura portuguesa contemporânea, de forma a contribuir significativamente com o importante processo de autognose, de que fala Eduardo Lourenço, uma vez que estes espaços físicos e simbólicos, forjados agora em relações mais desierarquizadas, redimensionam a própria representação de Portugal.

Ora, nesta dinâmica, a constituição da ideia de nação no período “pós-colonial” tanto no Brasil como nos países africanos lusófonos contará com a importante contribuição da literatura no processo de invenção das tradições nacionais (HOBSBAWN, 1984) e de construção de identidades através das quais se representem o povo no intuito de que a imagem forjada não seja mero reflexo do Outro lusitano colonial. Os fluxos dispersos que vão constituindo os comunitarismos (ABDALA JR, 2003) transnacionais vão atando e desatando os nós de uma rede que não se encerra no Estado-nação e, na contemporaneidade, expande-se através dos mercados editoriais, de ações governamentais, da iniciativa individual de escritores e leitores, bem como da ampliação de sítios e blogues na internet sobre autores e textos ficcionais portugueses, africanos e brasileiros. A conformação de uma rede literária que passa a operar nas coletâneas, nas resenhas e em produções críticas sobre obras enfrenta o desafio de contemplar, na narração da nação nestes territórios, a alteridade que põe em xeque os valores etnofalogocêntricos, já que, conforme adverte Laura Padilha, a diferença interroga o cânone toda vez que o outro subsume ao ímpeto de homogeneidade. Neste sentido, este Simpósio, além de constituir-se como espaço de reflexão acerca de conceitos como lusofonia, pós-colonialismo, africanidade, afrobrasilidade, diáspora, dentre outros, os quais atravessam os estudos sobre as literaturas em questão, propõe-se a fomentar análises contrastivas entre as produções africanas e as brasileiras e/ou portuguesas. Ademais, seguindo as observações de Carmem Lúcia Tindó Secco (2002), interessa-nos também pensar as travessias e rotas dessas literaturas na contemporaneidade, contemplando suas errâncias estratégicas tanto no plano estético-político quanto dos discursos identitários, abrangendo-se aí, além da produção literária orientada pela escrita, a oralidade ontológica dos griots, a performance do rap, o grafismo pictórico do graffiti, a produção marginal das periferias das grandes metrópoles, dentre outros. Por fim, este Simpósio acolherá ainda trabalhos acerca dos recursos de produção e circulação oficiais e não-oficiais das literaturas afro-brasileira e africanas de língua portuguesa nos contextos global e local, bem como análises que se detenham no impacto de políticas públicas e privadas de estímulo ao consumo dessas produções em vestibulares, concursos e programas disciplinares.

Referências

ABDALA Jr., Benjamin. De vôos e ilhas: Literatura e comunitarismos. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

ANDERSON, Benedict. Nação e consciência nacional. São Paulo: Ática. 1989.

AUGEL, Moema Parente. O desafio do escombro: nação, identidades, pós- colonialismo na literatura da Guiné-Bissau. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2007.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, Eliana L. L. Reis e Gláucia R.Gonçalves. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

CHAVES, Rita. Marcas da diferença. As literaturas africanas de língua portuguesa. São Paulo: Alameda, 2006.

DUARTE, Eduardo de Assis. Literatura, Política, Identidades. B
elo Horizonte: UFMG, 2005. Estudos Sociais Afro-Asiáticos, 2001.

FANON, Frantz. Peles negras, máscaras brancas. Salvador: Editora EDUFBA, 2008.

FERRÉZ. Literatura Marginal: talentos da escrita periférica. Rio de Janeiro: Agir, 2005.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2000.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Vozes em discordância na literatura afro-brasileira contemporânea. In: FONSECA, Maria Nazareth, FIGUEIREDO, Maria do Carmo Lanna (Org.). Poéticas afro-brasileira. Belo Horizonte: Editora PUC Minas/Mazza Edições. 2002. P. 191 – 220.

GILROY, Paul. Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. Trad. Cid Knipel,

GUATTARI, Félix; DELEUZE, Gilles. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol.1. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo, Editora 34, 2004.

HALL, Stuart. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Org. Liv Sovik. Trad. Adelaine LaGuardia Resende [et al]. Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2003.

MIGNOLO, Walter. Histórias Locais, Projetos Globais: Colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.

PADILHA, Laura Cavalcante. “A Diferença Interroga o Cânone”. In: SCHMIDT, Rita T. Mulher e Literatura: (Trans)Formando Identidades. Porto Alegre: Palloti, 1997. pp. 61-69.

PIRES LARANJEIRA. Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa. Lisboa. Universidade Aberta, 1995.

SANTILLI, Maria Aparecida. Paralelas e tangentes entre literaturas de língua portuguesa. São Paulo: Arte & Ciência, 2003.

SECCO, Carmen Lucia Tindó. Travessia e rotas das literaturas africanas de língua portuguesa (das profecias libertárias as distopias contemporâneas). Légua & meia: Revista de literatura e diversidade cultural. Feira de Santana: UEFS, n°1, 2002, p. 91-113.

SOUZA, Florentina da Silva. Afrodescendência em Cadernos Negros e Jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica. 2005.

SOUZA, Florentina, LIMA, Maria Nazaré (Org.). Literatura afro-brasileira. Salvador/Brasília: Centro de estudos afro-orientais/Fundação Cultural Palmares. 2006.

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