o texto literário angolano como fonte para o estudo das estruturas culturais afrolusobrasileiras

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Nesta quinta-feira, dia 16/5, a partir das 10:45h, estarei apresentando na Sessão III do Enlace 6, a decorrer na programação do III Seminário Enlaçando Sexualidades, uma comunicação que sintetiza alguns resultados mais recentes da pesquisa que desenvolvo no âmbito do projeto Imagens & Imaginários da Mestiçagem nas Literaturas Angolana & Brasileira. Aprofundando a discussão que tenho realizado sobre uma obra de Pepetela, esta comunicação (vide resumo a seguir) busca organizar mais subsídios teóricos para o trabalho comparativista de caracterização da colonialidade lusófona que tenho empreendido desde minha dissertação de Mestrado, trabalho cujo objetivo é compreender criticamente as relações entre as formas de exploração e discriminação que o colonialismo instaurou em países como o Brasil e o nosso multifacetado, assim como altamente erotizado, imaginário da mestiçagem. Resultados preliminares da minha pesquisa centrada no romance A gloriosa família podem ser lidos no artigo que publiquei, em 2010, na revista Ipotesi (O sexo da “raça”: identidade, escravidão e patriarcalismo em A gloriosa família, de Pepetela). Presentemente, a abordagem procura mostrar como a sexualidade interracial, além do papel que desempenha na negociação biopolítica de privilégios materiais, também influencia fortemente a reprodução e hibridização dos modelos culturais hegemônicos nas sociedades mestiças.

Em função deste evento, está suspensa a aula do dia 16 que seria ministrada para a Turma 1 (9-11h) da Let C47. Nas Turmas da tarde da LET C47 e da LET A67, as aulas estão mantidas. 

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APORTES GENEALÓGICOS PARA A CARACTERIZAÇÃO DA INTERSECCIONALIDADE DE GÊNERO E RAÇA EM CONTEXTOS MESTIÇOS: LEITURAS DO ROMANCE ANGOLANO A GLORIOSA FAMÍLIA

Perspectiva estratégica para a reestruturação das lutas políticas e culturais da atualidade? Ou um intricado sistema de relações de poder e de identificação sobrepostas, correlacionadas e antagônicas? Para ativistas e intelectuais engajados na desconstrução dos fundamentos simbólicos do racismo e do sexismo, a interseccionalidade de gênero e raça demarca um front tão permeado de desafios quanto de indefinições. No artigo “Tudo é interseccional?”, Ina Kerner propõe que o estudo das interações polimórficas constitutivas dessa interseccionalidade deve objetivar primariamente, para cada contexto enfocado, a descrição crítica de “matrizes de dominação”, tendo em vista abarcar e especificar “fenômenos de poder complexos e entrelaçados empiricamente de múltiplas formas, com uma dimensão epistêmica, uma institucional e outra pessoal” (2012, p.56). Nesta comunicação, pretendo colocar em evidência e em debate alguns elementos estruturantes da matriz de dominação derivada do patriarcalismo miscigenador que serviu de célula básica para a formação das sociedades escravagistas afro-luso-brasileiras. Tomarei o romance A gloriosa família, publicado por Pepetela em 1998, como fonte genealógica para uma revisitação a cenários e sentidos fundadores desse poder patriarcal. Ambientado em Luanda, em meados do século XVII, o romance é narrado do ponto de vista de um escravo doméstico pertencente a Baltazar Van Dum, um ex-militar holandês que, depois de se instalar no litoral angolano, torna-se um dos mais destacados e influentes dentre os agentes do tráfico negreiro sul-atlântico. Encabeçando também uma larga prole de filhos e afilhados mulatos, gerados por sua esposa angolana e incontáveis escravas, Baltazar posiciona-se no centro de uma rede de afetos, alianças, diferenças e violências cuja tecedura opera em ressonância direta com a produção histórica de quadros de referência para a gestão do sistema colonial português, bem como para a configuração dos imaginários da mestiçagem tropical. O recorte analítico abordará as representações do que pode ser considerado, nos termos de Marshall Sahlins e Osmundo Pinho, como a operação de uma “economia política da sexualidade”, através da qual signos libidinizados de raça e gênero são transacionados tanto para a obtenção de privilégios e submissões no âmbito da ordem colonial, quanto para a produção de agenciamentos de resistência e transgressão a esta ordem.

A-gloriosa-Familia capa

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