novas fontes para conhecer a história da independência angolana

angola trilhos

O projecto Angola nos Trilhos da Independência tem atiçado a curiosidade de muita gente. Foram 57 meses, 900 horas de material audiovisual recolhido em território angolano e internacional, com cerca de 700 depoimentos de protagonistas da luta anticolonial. Tudo isto destinado a preservar a memória de um período na História que diz respeito a Angola e à luta de todos os povos sob ocupação colonial cujas memórias padecem ainda de ser registadas e pensadas.

É um projecto de grande fôlego que implicou muitas viagens, epopeias, adversidades, muita poeira e entusiasmo. Através dele, a equipa (e futuramente nós) ficou a conhecer um país sob todas as suas diversas camadas: campo, cidade, interior, litoral, etnias, línguas, idades e modos de vida.

Entretanto, muitas personagens cujos testemunhos foram gravados já morreram, o que demonstra a urgência deste projecto cujo resultado sairá em 2015 na senda das comemorações dos 40 anos da Dipanda.  

O general Paulo Lara foi, com a associação Tchiweka, o mentor dos Trilhos da Independência. Mas esta aventura não seria possível sem a dedicação, competência e curiosidade dos jovens da Geração 80: Mário Bastos, Jorge Cohen, Tchiloia Lara e Kamy Lara.

Nascido no ano do famoso manifesto do MPLA (1956), no seio de uma família em tudo implicada na causa nacionalista, Paulo Lara andaria com o pai (Lúcio Lara) por lugares estratégicos da luta: Guiné-Conacry, Alemanha, Marrocos, Léopoldville, chegando a conhecer Amílcar Cabral e muitas peças-chave envolvidas nesta guerra. Também ele foi, durante dois anos, guerrilheiro nas matas de Cabinda. Já em pleno século XXI continua a surpreender-se pelo museu vivo que este assunto vai urdindo. (…)

SAIBA MAIS!

entrevista com a equipe no site BUALA

fanpage Facebook do projeto

teorizando sobre as identidades lusófonas & suas intrigantes ambiguidades

boaventura prospero tit intro

Não se deve perder de vista que, para o trabalho reflexivo exercido em nossa atualidade transbordante de saberes e de impasses, problematizar tem se mostrado tão ou mais importante do que responder. Sobretudo quando se trata da inteligência e escrita dedicadas a temáticas de persistente complexidade, como é o caso dos sistemas identitários afro-luso-brasileiros, a re-articulação criativa de premissas e conteúdos, bem como a coragem polemizadora, merecem valorização estratégica, considerando-se a cada vez mais evidente necessidade em abrir perspectivas de questionamento e elucidação tão inovadoras quanto diferenciais. O ensaio de Boaventura Santos linkado nesta postagem sem dúvida oferece abundante material para os leitores conscientes dos desafios com que se defrontam os intérpretes da colonialidade lusófona compromissados com a redefinição epistêmica que a crítica contemporânea demanda de seus diversificados protagonistas.