cultura da imagem & cultura da violência no caso Ônibus 174

invisibilidade perversa site

SALES, Mione Apolinario. (In)Visibilidade perversa: adolescentes infratores como metáfora da violência. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2005.

Importante referência para uma compreensão dos conflitos ideológicos e das problemáticas sociais que se articulam ao trágico episódio do ônibus sequestrado. Recomenda-se leitura prioritária da “Introdução”.

algumas sugestões para as pesquisas acerca do caso ônibus 174

A montagem acima possibilitar visibilizar com mais nitidez as várias intersecções entre os filmes de José Padilha e de Bruno Barreto. Entretanto, na elaboração dos dossiês pelas equipes é muito importante assinalar, também, as divergências e, em especial, o que poderíamos considerar como as “encruzilhadas” interpretativas que se abrem quando comparamos as duas versões, ou seja, os momentos em que conclusões contraditórias sobre a trajetória de Sandro, ou sobre o significado social  do sequestro, são propostas ou sugeridas pelos diretores.

Para aqueles que estão em busca de mais materias, seguem abaixo alguns links de fontes interessantes (clique nas imagens):

youtube 174

conteudo174

ihu 174

bdtd 174

o caso “ônibus 174”: nossa pauta de estudo e de avaliação na LET A32

onibus 174 padilha                          ultima-parada-um-sete-quatro-poster01

Conforme foi discutido na aula de 21/10, aceitaremos a proposta feita no artigo de Maria Rita Kehl debatido nas últimas semanas e nos dedicaremos a um estudo da constituição do imaginário brasileiro pela mídia montando um dossiê acerca daquele que é considerado por muitos como o mais importante acontecimento midiático no Brasil, isto é, o sequestro de um ônibus e algumas passageiras por um menino de rua chamado Sandro, acontecido no Rio de Janeiro em junho de 2000. Seguem abaixo alguns parâmetros relacionados à atividade de avaliação que desenvolveremos tomando como foco esse dossiê:


Divididos em duplas, @s estudantes devem elaborar um relatório de pesquisa sobre o tema:

AS REPERCUSSÕES DO CASO “ÔNIBUS 174” NO IMAGINÁRIO BRASILEIRO

Caberá a cada equipe selecionar e resumir pelo menos CINCO textos midiáticos (reportagens, crônicas, resenhas, artigos acadêmicos, documentários/curta-metragens para cinema ou TV etc) que abordem de maneira direta ao tema proposto ou permitam desenvolver articulações produtivas acerca dele. O relatório deve ser finalizado com um texto digressivo (40-60 linhas) no qual os filmes Última Parada 174, de Bruno Barreto, e Ônibus Linha 174, de José Padilha, sejam comentados (ambos ou um dentre eles, à escolha) considerando as informações obtidas através da pesquisa.

ENTREGA: 02-09/12/2011;  VALOR: 9,0 pts.


Foi solicitado que @s estudantes procurem assistir por meios próprios, e assim que possível, ao filme de Bruno Barreto, de maneira a que já possamos começar a discutir esta obra na aula de 04/11. Clicando nas imagens acima você será direcionado para a postagem do prestigiado site CINE CONHECIMENTO que disponibiliza cópias de ambos os filmes. Recomendamos também a leitura da reportagem abaixo publicada no GI, portal de notícias da Rede Globo, texto que pretende oferecer um panorama amplo da memória acerca do Ônibus 174. Maiores detalhes sobre a atividade serão esclarecidos na próxima aula.

 

Após 10 anos, sequestro do ônibus 174 vive na memória de testemunhas

Elas viveram horas de tensão e recordam tragédia que teve duas mortes.
Ex-capitão do Bope revela que oficial chorou por operação ter falhado.

Bernardo Tabak, G1, 12/06/2010

Passados dez anos, o sequestro do ônibus 174 ainda está muito vivo na lembrança de pessoas que, de alguma maneira, vivenciaram o episódio.

Permanece na memória da repórter que narrou, ao vivo, o sequestro pela TV durante mais de três horas.

Sobrevive, rico em detalhes, no relato do porteiro do clube localizado em frente ao local onde ocorreu o crime. E nas recordações de uma estudante universitária que se tornou jornalista, e que por muito pouco não embarcou no ônibus.

O sequestro, que ficou marcado no histórico de violência do Rio, terminou com a morte de uma refém e do sequestrador, numa ação policial considerada desastrada por especialistas em segurança pública.

“Lembro perfeitamente, como se fosse agora. Estava o maior engarrafamento, e o ônibus vinha lá atrás. Era o que eu pegava todo dia, da faculdade para casa”, conta, sem titubear, a jornalista Antonia Martinho da Rocha, de 30 anos, que, na época, estudava na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Gávea, na Zona Sul.

Trajeto do ônibus é relembrado por testemunhas do crime
O ônibus 174 fazia a linha Gávea-Central, e tinha saído do ponto final, próximo à Favela da Rocinha, na Zona Sul. “Como estava muito atrasada, peguei um táxi, que estava uns três carros antes do ônibus. Cheguei a fazer sinal para o motorista do 174, mas, depois, mudei de ideia”, detalha Antonia. “Eu lembro da Luana entrando no ônibus. Cheguei a dar ‘tchau’ para ela”, conta a jornalista, referindo-se a Luana Belmont, que foi uma das reféns e era colega de classe.

“Por volta das três da tarde, o ônibus foi parado por uma patrulha bem em frente à cabine onde trabalho”, lembra Ronaldo Veras Silva, que há 15 anos faz segurança para moradores de edifícios localizados em frente ao Parque Lage, no bairro Jardim Botânico, na Zona Sul. “Não pude nem pegar meu cigarro, nem o café, que estavam na cabine”, recorda Veras.

Há 13 anos, Álvaro Delvalle dos Santos Filho é porteiro do Clube Militar, próximo ao local do sequestro. Ele se recorda da mulher que avisou à polícia que havia assaltantes no ônibus. “Ela contou aos policiais, na minha frente, que tinha visto dois ladrões sentarem no banco atrás do motorista, depois de terem embarcado na Rua Jardim Botânico, na altura da Rua Lopes Quintas. E que um deles, o Sandro do Nascimento (que fez os passageiros reféns), colocou uma arma em uma bolsa”, conta.

“Ela disse que, então, saltou do coletivo avisou a uma patrulha. Quando os PMs chegaram, um dos ladrões se entregou, mas o Sandro continuou no ônibus, com os passageiros”, lembra Delvalle.

O porteiro Álvaro Delvalle aponta o local exato onde a professora Geisa foi baleada.O porteiro Álvaro Delvalle aponta o local exato onde a professora Geisa foi baleada. (Foto: Bernardo Tabak/G1)

Cobertura do sequestro em tempo real
Sandro do Nascimento era um dos meninos sobreviventes da chacina da Candelária, em 1993, e teve sua história contada em dois filmes: o documentário “Ônibus 174”, de José Padilha, e o filme de ficção “Última Parada 174”, de Bruno Barreto. Em uma entrevista ao G1, Barreto compara o sequestro do 174 com o ataque terrorista do 11 de setembro, em 2001, em Nova York.

Na época do crime, a repórter Vanessa Riche, que trabalhava para o canal a cabo Globo News, tinha um ano de formada. “Eu saí para fazer uma reportagem sobre um evento de moda, no Riocentro (Zona Oeste). Mas minha chefe pediu para ‘passar rapidinho’ no Jardim Botânico, eu devia apurar um assalto a ônibus”, conta ela. O “rapidinho” se transformou em quase quatro horas de cobertura, transmitida ao vivo, para todo o Brasil. “Assim que cheguei, me contaram que eram dois ladrões. Mas eu só vi o Sandro, dentro do ônibus, com os reféns”, recorda Vanessa.

O sequestro ganhou repercussão internacional. A rede americana de jornalismo CNN transmitiu as imagens para TVs a cabo de todo o mundo. “Para mim, ninguém estava vendo”, revela Vanessa. “Eu acreditava ser uma notícia muito local”, acrescenta. A repórter diz que só teve uma real dimensão da cobertura quando o jornalista Sidney Rezende, âncora da Globo News, chegou ao local do sequestro. “Ele me disse: ‘Vanessa, você não faz ideia da repercussão’”, conta ela.

“Foi uma das ocorrências de violência no Rio de Janeiro mais midiáticas que me lembro”, comenta o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, Rodrigo Pimentel​. Na época, nos bares da cidade, nas vitrinas de lojas de eletrodomésticos, onde havia uma TV, tinha um grupo de pessoas que pararam para assistir ao sequestro, em tempo real.

Violência do sequestrador causou sustos e revolta
Vanessa Riche conta que sentiu muito medo quando Sandro do Nascimento deu o primeiro tiro, que atravessou o para-brisa do ônibus. “Ele não queria a imprensa por perto, e eu estava mais para a frente do ônibus. O tiro foi na minha direção. Eu corri e me escondi atrás de uma árvore”, lembra.

Um dos momentos do sequestro que mais marcou o porteiro Delvalle foi quando Sandro atirou contra uma refém, que estava no chão do ônibus. “Todo mundo achou que ela tinha morrido. Queriam arrebentar o cordão de isolamento para pegar o sequestrador”, recorda ele. Mais tarde, descobriu-se que Sandro tinha avisado à refém que não iria matá-la, mas que ia atirar para forçar os policiais a atenderem às exigências.

Durante o sequestro, por pelo menos duas vezes, Sandro chama por uma tal Ivone. Na verdade, a mulher a quem Sandro se referia tem a grafia bem diferente do convencional. A artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, que tem um projeto social onde cuida de crianças traumatizadas pela violência, conhecia Sandro desde a Candelária.

“Eu fui muito importante na vida dos meninos da Candelária”, recorda Yvonne. Quando soube do crime, à noite, assistindo ao Jornal Nacional, da TV Globo, ela ficou com uma sensação de culpa. “E se eu tivesse ido até o local? E se eu tivesse feito alguma coisa? Mas o destino não quis”, lamenta.

(CONTINUA…)

para entender o surgimento da “Idade Mídia” e suas repercussões no Brasil contemporâneo

logo idademidia

SOUZA, Nelson Mello e. Modernidade: desacertos de um consenso. Campinas: Unicamp, 1994.

BRIGGS, Asa, BURKE, Peter. Uma história social da mídia. De Gutenberg à internet. Tradução de Maria Carmelita de Pádua Dias. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

KEHL, Maria Rita. Imagens da violência e violência das imagens.